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El estudio del español hablado culto. História de um proyecto

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El estudio del español hablado culto. História de um proyecto
IDIOMA 23
RECENSÃO:
JUAN M. LOPE BLANCH – El estudio del español hablado culto. História de
um proyecto. Ciudad de México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1986,
217 p.
Evanildo Bechara (UERJ e ABL)
O conhecido lingüista da Universidade Nacional Autônoma do México reúne no
presente livro toda a documentação que permite elaborar a história do proyecto de sua
autoria que, há quase quarenta anos, tornou realidade o estudo amplo e sistemático do
espanhol falado culto nas principais cidades do mundo hispânico.
O documento inicial que previa a importante pesquisa foi apresentado oficialmente pelo autor a 5 de agosto de 1964 durante a realização, na cidade de Bloomington,
Indiana, do Segundo Simpósio do Programa Interamericano de Lingüística e Ensino de
idiomas (PILEI), instituição cuja meta fundamental é auspiciar amplos projetos de investigação lingüística que possam, posteriormente, manter-se por si mesmos.
A proposta de 1964 tornou-se una graças ao apoio do PILEI, acrescido de outras
adesões por parte de instituições lingüísticas dentro do mundo hispânico, de modo que
a presente obra, além da história proyecto, é também um balanço dos frutos até então
obtidos. Serve ainda este balanço de lição e experiência não só aos que iniciaram a pesquisa e a prosseguem, como àqueles que, entusiasmados por ela e conscientizando-se
de sua necessidade, desejaram juntar-se ao primitivo grupo e encetar investigações no
gênero. Como bem diz o Doutor Lopes Blanch.
Hacer história es labor provechos, por cuanto ensena: y lo es también
porque tales enseñanzas iluminan el futuro y el futuro y ayudan a resolver los problemas veñideros. La experiência acumulada durante
más de veinte años porque quienes se han esforzado en llevar por
buen camino esta ambiciosa investigación será de suma utilidad a
quienes han decidido ahora participar en la empresa. (p. 7)
A proposta inicial de Lope Blanch pretendia conhecer melhor o chamado “español
de América”, esse “ilustre desconocido”, do qual ora se faziam comentários constantemente desmentidos pela mais superficial investigação, ora se reduzia a vitalidade de
usos lingüísticos só à região estudada, ora se ampliava o espaço geográfico de práticas
restritas a determinadas camadas sociais.
Vale a pena recordar o autor:
“(...) se consideran de uso “general em toda América” frases como son
las onces, hace tiempos, los otros dias, que – en Mexico al menos – no
se oyen nunca; o se considera asimismo “de uso general” la construción formada por “lo más” + un adjetivo equivalente a muy + ese adjetivo o ese adverbio” (estoy lo más bien, una casa la más linda); y se
juzga que “tienen frecuente uso en todo el território americano las
formas tuviera, llegara, etc. con valor de habla tenido, habla llegado”,
cosa que muy rara vez – por no decir que nunca - se podrá oir en boca
de un americano hispanohablante, ya que sólo se trata de un artificioso
y cursi recurso estilístico, al que recurren periodistas y escritores de
dudoso mérito; o, finalmente, se piensa que el pretérito compuesto, há
cantado, tiene um uso muy restrigido, en favor de la forma simple,
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cantó, cosa que no corresponde a la realidad”(p.10-11).
Reconhece, todavia, Lopes Blanch que tais erros se deviam à falta de informação
e de pesquisa dos investigadores a quem, a rigor, competia tratar a matéria. Daí imporse o apoio ao proyecto apresentado. A pesquisa não vinha colmatar só essa deficiência;
a investigação da língua das grandes cidades – representativas de grande parcela da população total do país e pela força de difusão cultural em nível nacional – iria apontar
para uma modalidade standard de cada nação, e, conseqüentemente, trazer resultados
positivos a outras importantes questões, tais como: a) ao ensino escolar; b) à tarefa de
“castellanización” de indígenas americanos; c) ao ensino do espanhol comum – língua
hispânica- como segunda língua de estudantes estrangeiros; d) ao estudo de linguística
comparada. E, dentro da história da língua espanhola, “permitiria llegar al conocimento
más profundo de esa unidad variada o varledad uniforme que es el español, como lo es
también el portugués” (p. 14);
Tais objetivos pesaram na decisão de a pesquisa centrar-se na chamada "norma
lingüística culta", na investigação da fala de pessoas com educação de nível universitário – ou equivalente – , pondo de lado – pelo menos num primeiro momento – o estudo
da fala de diferentes níveis socioculturais, segundo proposta de Manuel Alvar e de Ana
Maria Barrenechea, na reunião de Madrid.
Aprovado o proyecto, mereceu o imediato amparo das Universidades de Chicago
e Georgetown (Washington), da Asociacion de la Lengua Española – que manifesta seu
desejo de que a pesquisa se amplie ao falar culto atual das demais principais cidades do
mundo lingüístico hispânico (Espanha , Filipinas, etc.), da Oficina Internacional de Información des Español (OPINES).
O capítulo Organización y desarrollo (p. 20-42) dá-nos conta dos passos iniciais:
- da constituição de uma Subcomisión Ejecutiva do proyecto, integrada, em 1986,
durante o III Simpósio do PILEI, em Montevidéu, pelos seguintes professores: Ana Maria Barrenechea (Buenos Aires), Lidia Contreras e Ambrosio Rabaneles (Santiago de
Chile), José Joaquim Montes (Bogotá), Miguel Ugarte Chamorro (Lima), Humberto
Lópes Morales (La Habana), Juan M. Lope Blanch (Mexico), José P. Roma (Montevideo) e Manuel Criado de Val (Madrid).
- da fixação do objeto da pesquisa: "investigar detenidamente la norma (uso general) del habla culta de las diversas ciudades iberoamericanas, confrontandole rigorosamente com las modalidades linguísticas propias de los demás niveles socioculturales de
las grandes ciudades" (depois, como já dissemos, ficou decidido que a investigação deveria circunscrever-se à fala culta habitual de cada cidade);
- do alcance da investigação (deveria inicialmente circunscrever-se à fala culta
habitual de cada cidade, estendida a Barcelona, Bogotá, Buenos Aires, La Habana, Lima, Madrid, México, Montevideo e Santiago de Chile, com a esperança de que investigadores de Portugal e do Brasil venham aderir ao projeto “para el estudio paralelo de la
lengua portuguesa”);
- dos aspectos lingüísticos a serem levados em conta (fonética e fonologia; morfossintaxe; léxico e estruturas coloquiais e afetivas);
- da metodologia aplicada; dos aspectos financeiros e da participação brasileira na
pesquisa da fala culta urbana do Brasil.
Os capítulos El proyecto en el Simposio de São Paulo (p. 43-54), em janeiro de
1969 e Nuevos pasos (p. 55-63), relativos a setembro de 1969, são-nos notícia da pesquisa no estado em que à época se encontrava, nos diversos centros de investigação a50
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trás aludidos – incluindo-se as gestões do professor Nelson Rossi, da Universidade da
Bahia, para que cinco cidades brasileiras pudessem aderir ao projeto, e a proposta do
professor Gilles Lefébvre, da Universidade de Montreal, de preparar um projeto para o
estudo do francês falado na América.
Os capítulos subsequentes El Proyecto en el Simposio de Puerto Rico, em 1971
(p. 64-81), Informes sobre el proyecto publicados en el Boletim de la CLI – Comisión
de Lingüística Iberoamericana (p. 107-124), El cuestionário definitivo (p. 95-106), El
tomo de estudios sobre el español hablado em las principales ciudades de América (p.
125-131), Publicación de las encuestas (p. 132-160), El proyecto durante los ultimos
años (p.161-182), El proyecto en el VII Congreso de la ALFAL, em setembro de 1984
(p. 183-215) e a Noticia final (p. 216) – que registra a última adesão assinalada no livro,
a do Dr. Ramón Trujílio, diretor do Instituto de Lingüística “Andrés Bello” da Universidade de La Laguna, que, com os investigadores do seu Instituto e com o respaldo de
diversas entidades culturais de Tenerife, iria pesquisar a norma lingüística culta de Santa Cruz – La Laguna, isto e, de um território que serviu, durante muito tempo, como
laço de união entre Espanha e América e donde partiam contingentes de emigrantes a
povoar extensas regiões do Novo Mundo – finalizam as informações sobre o progresso
do Proyecto e conseqüentes produções científicas através de livros e artigos publicados
em revistas especializadas e anais de congressos e simpósios, numa evidente prova de
que a proposta de 1964 do professor Lope Blanch é hoje uma extraordinária realidade,
graças ao empenho de uma seleta equipe de competentes estudiosos e o apoio de algumas agências de financiamentos e entidades culturais – em alguns lugares menos do que
se desejaria.
Finalmente, cumpre acentuar que o capítulo El Cuestionario definitivo, já aqui referido, é instrutivo a quem quiser inteirar-se dos princípios metodológicos a serem aplicados nesse gênero de pesquisa , porque nos oferece, além dos índices dos três volumes,
um esboço do Cuestionario na sua versão definitiva, revisto pela Subcomissão Executiva do Projeto e, publicado pelo Consejo Superior de Investigaciones Científicas por
proposta dos professores Manuel Alvar e Antonio Quilis.
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